Eu quis escrever sobre você, talvez por não ter coragem suficiente de te falar.
Talvez por que estive preocupada demais escolhendo palavras que nunca sairão da minha boca. Talvez por que eu estivesse fingindo que você não estava sentindo nada e que fui eu quem floreou tudo.
Eu podia começar te pedindo paciência e te explicando sobre o meu coração e sobre como ele está bagunçado, mas isso não deixaria as coisas claras de fato. Então eu decidi ser honesta com você porque é como eu gostaria que você fosse comigo.
Recentemente passou um furacão aqui dentro, sabia?
E eu ainda estou recolhendo as coisas que ele derrubou. Ainda tem muito trabalho a ser feito e eu não estou podendo receber visitas.
Eu sinto muito.
Eu sinto muito.
Quem sabe um dia você possa me levar pra tomar aquele chocolate quente na livraria ou eu tome coragem pra te levar na minha pedra preferida na praia. E pode ser que você me conte sobre esse fascínio que você tem pelos filmes dos anos 70 e 80 ou eu te fale das minhas teorias mais loucas sobre o poder das escolhas e os pontos de luz brilhantes flutuando no universo.
Não vou negar. Já contei sobre eles pra alguém.
Já ri das coisas mais improváveis, cantei as melhores músicas, expliquei sobre as conchas e os anéis, apresentei o meu quarto, a minha casa e a minha vida.
E é por isso que as coisas estão como estão. E é por isso que agora eu tenho mais medo do que antes. Eu sei, ou pelo menos acho que sei, que você não vai entrar com a intenção de bagunçar a minha arrumação. Mas um dia você vai fazê-lo, e eu ainda não estou pronta pra te ver mudando minhas coisas de lugar, OK?
E sinceramente, é melhor você não me esperar estar. Isso aqui vai demorar muito tempo. Vou ter que remover os quadros e a pintura. Mover tudo de lugar. Tirar as ervas daninhas do jardim e abrir as janelas pra deixar o sol entrar.
Até lá, a pedra na praia continua sendo só minha.
As minhas músicas, eu vou tocar e cantar só pra mim.
As teorias vão ser minhas risadas de canto da boca, quando eu observá-las fazendo sentido com as pessoas do meu cotidiano.
Peço a você que não insista.
Pois ao redor da minha casa agora tem um mar bravio e você pode naufragar.

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