quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Querer


Eu queria te escrever algo bonito que te causasse a sensação de dormir o suficiente em um dia de feriado e ao acordar, perceber que ainda são só 8 da manhã e que você pode várias coisas por que não perdeu o dia dormindo demais.
Eu queria te falar algo que fosse tão bonito quanto o barulho do mar naquele fim de tarde em que eu toquei violão pra você sem me sentir a pessoa mais envergonhada do mundo.
Eu queria te fazer sentir qualquer coisa o mais parecida possível com o frio na barriga que você me causa quando a caminho de me encontrar você já vem me encarando.
Eu queria que você soubesse que eu percebo quando você estremece depois que eu atravesso a porta da sua casa. E que eu sei que se você começa a falar feito um tagarela é por que não quer que um silêncio constrangedor se instaure entre uma conversa e outra. 
Queria que você soubesse que eu aprecio o silêncio tanto quanto a conversa, desde que ambos sejam em boa companhia.
Eu queria que você sentisse o mesmo que eu sinto quando você me abraça. 
É como acordar numa manhã ensolarada, ir até a janela e sentir o sol da manhã quentinho, queimando minhas bochechas enquanto a brisa fria sopra no meu rosto.
Eu queria que você notasse que apesar de tudo isso eu tenho medo. Por que a gente acaba sentindo medo quando coisas boas aparecem rápido demais na nossa vida após um acontecimento ruim. 
E entre tantos 'quereres', eu quero que você nunca descubra nada disso. Por que o fato de você não saber e ainda assim fazer tudo de forma tão espontânea é que tem tornado os dias mais especiais.
Se você soubesse, talvez não os fizesse mais ou fizesse de forma a saber o que essas coisas me provocam, e então você perderia seu charme. Esse 'quê' de quem quer entrar na minha vida, mas que ainda está parado na porta, hesitante, esperando ser convidado.
Mal sabe você que eu já estou arrumando a casa, enfeitando a mesa e preparando um café...