terça-feira, 24 de novembro de 2015

Nem toda mudança é necessária

Estou prestes a mudar o cabelo mais uma vez.
Já fiz isso tantas vezes, mas parece que essa é diferente de todas as outras. O caminho até o salão nunca pareceu tão longo e nem tão propício pra reflexões tão profundas sobre a minha vida. 
Mudar.
Quantas vezes eu já fiz isso no passado? Mudei o cabelo, as roupas, o jeito e até a decoração do quarto. Mudei por outras pessoas e me arrependi muito disso.
Deixar de ser quem você é, é se despir de si mesma(o) e vestir uma personalidade para agradar a outra pessoa. É deixar crenças, passado, e tudo o que foi somado na sua trajetória e hoje forma cada pedacinho de você. É perder sua identidade para assumir outra que nem de longe demonstra a grandeza do que existe no seu interior.
É chover no molhado dizer, mas quem gosta realmente de você, entende que cada detalhe seu é resultado de uma experiência de vida que te define.
Levei tempo mas aprendi, que eu não precisava me transformar em outra pessoa pra agradar ninguém, que as pessoas que gostassem de mim se aproximariam naturalmente e ficariam por vontade própria. 
Simples assim. A gente é que tem mania de complicar tudo, de querer se encaixar, de mudar pra caber na fôrma. Balela. Por que a gente não pode ser feliz sendo indefinido?
Sabe o que seria incrível?
Mudar por VOCÊ.
Ser você.
E amar cada defeitinho seu, e cada qualidade.
   
Acredite em mim, faz um bem danado!  




segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Crônicas e Desventuras. Parte I. A saga da sopa.

   Naquele dia depois do trabalho, decidi que não iria fazer Yoga. Meu ser espiritual já estava alimentado de paz e tranquilidade suficientes, no entanto, meu corpo físico sentia a fome de um ogro bárbaro que passou três dias sem comer.
Eu podia jurar que cada ronco era um grito que dizia: "Mulher! Ande logo com esse jantar ou eu vou começar a comer as sua tripas!"
Decidi que ia fazer sopa por que é mais rápida e sempre bem-vinda. Pode estar fazendo um calor digno de Mordor que ainda consigo me imaginar perfeitamente tomando minha tigela de sopa fumegante. Isso tudo suando litros e prestes a morrer desidratada.
    Caminhei firme em direção ao Reino do Supermercado, imaginando que compraria a minha carne e legumes, chegaria em casa, e em pouco tempo tomaria minha bela sopinha assistindo finalmente os primeiros episódios de Jéssica Jones. 
Entrei no supermercado e senti uma pontada no estômago. O maldito já estava comendo o próprio pâncreas. Meu pâncreas!
    Apressei o passo, e eu acho que nunca reparei como essas sessões pareciam um labirinto. Tenho certeza que passei três vezes pela sessão de coisinhas femininas. 
Seria um indireta no meu destino?
Juro que quando passei pela sessão de bebidas vi o Jack Sparrow escolhendo um Rum. 
   Olhei pra cima procurando a placa de identificação das sessões. Bebidas. Higiene e Limpeza. Enlatados. Biscoitos e Bolachas.
Pronto! Eu tinha ido parar na fronteira entre Rio de Janeiro e São Paulo.
    Continuei andando, e foi quando vi ela, a placa! De um amarelo ouro pintado com letras garrafais cor de carmim. CARNES E FRIOS.
Me agarrei na única cestinha visível antes que outra pessoa a pegasse. "My Preciousssss..."
Fui até o balcão, pedi a carne e no caminho ainda catei umas verduras exóticas pra gourmetizar o negócio.
Beleza. Agora é só pagar e partir pro abraço. 
    Chegou a minha vez. Passei as coisas, pus a mão na carteira e abri o zíper.
Nesse momento, se existia algum chão sob os meus pés, ele tinha se desfeito completamente.
   "Cadê meu dinheiro???" 
Mexe aqui, revira alí. "Mas eu coloquei 50 reais aqui hoje de manhã! Ou será que foi anteontem?". Preciso ter uma conversa séria com a minha memória.
    A atendente já me olhava com cara de impaciente, e eu podia sentir as pessoas me fuzilando com os olhos, afinal eu já estava atravancando o caixa.
Desisti de procurar.
    Quando olhei pra moça, eu queria poder cavar um buraco até a china. 
Pedi desculpas e disse que não ia levar nada.
Saí pisando duro e sem olhar pra trás. Parecia que eu podia ouvir a Celine Dion cantando atrás de mim. "Oooooh by myseeeeelf... Don't wanna be..."
     Não foi só as compras, sabe? Minha dignidade também tinha ficado naquele balcão.
Naquele instante eu jurei que recuperaria minha honra. Ia em casa, pegaria dinheiro, voltaria e resgataria minhas compras. Mas o que aconteceu foi que eu fiquei com preguiça de voltar.
Aceitei a vergonha e me prometi que só voltaria lá quando pintasse o cabelo de outra cor e ficasse irreconhecível.
   No mais, coloquei Jéssica Jones e descobri que biscoito de água e sal e um copo de leite tem propriedades de encher a barriga e curar um orgulho ferido.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Rara calma



Hoje durante o banho, enquanto olhava pela janelinha do banheiro e ensaboava a cabeça, reparei no quanto o céu estava bonito. Vi as nuvens e confirmei, pra mim mesma, como elas realmente parecem com chumaços de algodão flutuando. 
Percebi que a muito tempo tempo eu não reparava no céu. 
Não só nele, mas na maioria das coisas simples que eu gostava tanto de reparar quando era mais nova. Como me encantava fácil com os detalhes.
Aconteceram tantas coisas até aqui. Coisas boas e coisas ruins.
Acabou que eu nem percebi ou me neguei a constatar, que aquele prazer de reparar no que era mais simples, tinha ficado em algum lugar dentro de mim que eu não conseguia mais acessar.
Reparei no vento forte, e nas árvores balançando, como se estivessem dançando uma música que só elas estavam ouvindo. Era quase um balé.
Parecia que tudo estava exatamente no lugar onde deveria estar. 
Inclusive eu. Aqui.
Vi um ou outro passarinho voando rápido e ouvi ao fundo Thiago Iorc tocando no meu celular.
Coincidência ou não, tocava uma trecho mais ou menos assim "Quando foi a última vez que você quis escutar, silenciar?". 
"Faz muito tempo", eu respondi baixinho.
Senti a paz chegando e um calorzinho no peito. E antes que o momento passasse, fechei os olhos e agradeci. 
Por tudo. 


          

Aviso de utilidade pública!





Este blog não caiu no esquecimento!

Assim que eu aprender os paranauês do HTML eu volto.



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Eu aprendendo os esquemas pra voltar logo pro blog





Beijos :*