quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Aos amigos que tive que deixar





No dia 06 de Dezembro de 2013, aquele jantar não deveria ter sido a minha despedida, mas acabou sendo.
E a surpresa foi um misto de felicidade e tristeza. Um sentimento que vou levar para o resto da minha vida, não como um fardo, mas como uma marca, uma lembrança boa que nunca vai me deixar esquecer de vocês.
Na noite anterior eu tinha chorado antes de dormir, por que achei que estava sozinha no mundo. Achei que dessa rasteira que a vida me deu eu nunca mais conseguiria levantar. 
Mas no dia 06 de Dezembro de 2013, vocês me fizeram pensar o contrário.
Fiquei tão chocada com tudo aquilo. Cada palavra, cada imagem. O próprio ar parecia carregado de carinho.
Vocês me aceitaram desde o início. Eu vi amizade em vocês, e só o que eu queria era ficar perto. Mas vocês fizeram mais por mim.
E eu agradeço a cada momento e instante que passei com vocês. Por cada sorriso e cada palavra de incentivo. Por cada bronca também, que me ajudou a melhorar. Por cada gargalhada.
Mas acima de tudo, obrigado por me deixar fazer parte da vida de vocês, sem cobrar nada em troca.
Eu tive que ir e tive que deixar meu caminho pra trilhar um novo.
Eu não sei o que a vida reserva pra mim, mas eu vou continuar e levantar sempre que eu cair de novo.
E um dia eu vou reencontrar vocês e vai ser como se o tempo não tivesse passado. Vamos sentir que ainda somos aqueles mesmos adolescentes desleixados, alegres, patriotas e cachaceiros.

Esse não é o fim. É um passo em uma nova estrada, pra cada um de nós.
E toda estrada tem trechos difíceis de percorrer.
Então vivam, como se cada dia for o único. Amem, como Renato Russo dizia: "Como se não houvesse amanhã".
Sonhem, por que todo ser humano precisa acreditar em um sonho.
E lutem, pra realizar esse sonho. Por que vocês nunca saberão o que tem além da próxima curva, e a qualquer momento tudo pode mudar.
Aproveitem ao máximo a vida.
Pulem, cantem, bebam, fiquem, estudem, ser formem, vivam.

Eu amo vocês. E cada um de vocês deixou na minha vida uma marca boa.
Eu amo vocês. Amo.
Obrigado por tudo.

E foram quase felizes para sempre

A roda da carruagem atolou antes da festa.
Um dos cavalos rompeu os estribos e fugiu.
Faltavam dez pra meia-noite.

Mais cedo ela visitou seis modistas até achar uma que estivesse livre pra fazer o vestido perfeito para a ocasião.
Ela sabia que ele iria pedi-la em casamento naquela noite.

Correu alvoroçada de volta para a carruagem.
O cocheiro levou sete minutos para desatolar a roda, agora só lhe restavam três minutos, mais as cento e vinte batidas que seu eufórico coração dava.

Chegou à festa meia-noite e cinco.
Tudo bem, ele a amava e não iria se importar com tão pouco atraso.

Subiu as escadas o mais rápido que seus pezinhos tamanho 37 lhe permitiam.
Esbarrou no mordomo de nariz empinado que lhe pediu o convite.
Onde ela o havia deixado mesmo?

Refez os passos desde a saída de casa, passou a mão no colo suado e espremido dentro do espartilho. Sentiu uma textura diferente.
O convite!
Lugar mais seguro pra guardá-lo não havia.
Jogou-o em cima do mordomo sem se preocupar em ser anunciada.

Vasculhou ávidamente o salão. Nada.
Procurou-o junto às rodas conversa. Nada.
Oh céus, já era meia-noite e trinta e um!
Ele cansou-se de esperar e foi embora?

Um soluço de desespero se formou naquele peito comprimido.
Decidiu ir até a varanda tomar ar.

Ele estava lá.
Tomando outra nos braços.
Distribuindo beijos a uma outra que ela nem se deu ao trabalho de reconhecer.
Correu.
Em direção a porta.
Correu.
Esbarrou em outros convidados.
Correu.
Não ouviu o chamado do cocheiro que já a esperava na carruagem.
Correu.
Até não saber onde estava,
Parou. Olhou. Desconheceu.
Sentiu medo e voltou a correr.
Tropeçou e caiu.
Ouviu um CRECK.
Os sapatos que foram presente da sua mãe. O salto já era.
Nada mais importava. Caminhou.

Às 3:00 da manhã ela girou a chave na porta.
Descabelada, maquiagem borrada, vestido sujo e o sapato de salto quebrado nas mãos.

Sentou e sentiu o roçar do gato em sua perna.
Suspirou.
Fechou os olhos.
"Que noite, meu Deus. Que noite."