domingo, 13 de agosto de 2017

Intimidade

"Vem, entra. Não, não tira o chinelo. Você já tomou café? Por que essas janelas ficam sempre fechadas? Já sim, e você?"
Nem vi quando deixei de ter vergonha de entrar na sua casa. Ou quando sua cadela parou de mostrar os dentes pra mim. Mas eu lembro de quando sua mãe começou a me abraçar com mais carinho  que o habitual, ou quando eu tomei a liberdade de chegar e ir direto pro seu quarto mexer na sua TV.
A gente nunca se dá conta de como a intimidade é sorrateira. Vem chegando e quando menos se espera já se apossou de todos os cômodos dentro de nós. E a gente acusa, aponta o dedo e dá a ela todo o crédito pelo total fim do romance de início de namoro. 
As saídas de fim de semana vão ficando cada vez mais escassas por preguiça ou falta de opção. Preguiça boa, de ficar em casa treinando as receitas mais mirabolantes ou escolhendo por duas horas um filme no qual um dos dois vai acabar dormindo na metade.
As noites de sono aparentemente também perderam o toque de água com açúcar daquele romances dos anos 20. 
Dormir de conchinha a noite toda? Nem pensar! O braço fica dormente, a nuca começa a suar e alguém acaba comendo cabelo. E a gente descobre que não precisa se tocar pra ser amor. Mas que amor sem se tocar nenhuma vez também não pode...!



sábado, 11 de junho de 2016

Nem toda incerteza é ruim


É de manhã.
Olho para trás, de rabo de olho, e te vejo dormindo de costas pra mim. Fico tentada a me virar e mexer no seu cabelo mas por receio de te acordar não faço nada.
Lá fora o dia está nublado mas mesmo assim eu chuto que seja por volta de 9 da manhã ou 10. Tudo isso com meu sentido de Crocodilo Dundee de olhar pro céu e quase sempre acertar com precisão que horas são. É inevitável sorrir quando lembro a expressão que você faz toda vez que eu acerto. Você sempre arregala os olhos e dá um solavanco pra trás com a cabeça, num misto de choque e descrença que em segundos muda pra um sorriso e a frase: "Olha só você!", como quem pensa "Foi sorte!". 
Isso depois de conferir no celular, claro.
Não quero de forma alguma endeusar você ou o que temos vivido mas é nítida a felicidade que você me traz. Ainda que eu não saiba o que vai ser de nós no mês que vem ou se ainda vamos estar juntos daqui a um ano, é a primeira vez que eu não me importo em saber. Não me entenda mal, não é que eu não faça questão, mas com você tenho aprendido que não podemos controlar todo o curso da nossa vida por quê mesmo que tentemos, na hora h, no dia x, algo acontece e muda tudo. E convenhamos que viver sem planejamento tem feito da nossa vida uma aventura atrás da outra.
Mesmo que eu me pegue vez ou outra imaginando como seria bom ter todas as manhãs de preguiça com você ou a liberdade de te ter ao ao alcance de um abraço, é preciso deixar que o acaso faça o seu papel.
Parece assustador viver assim, na incerteza. Mas do que realmente temos certeza nessa vida? 
Acontece, meu bem, que das incertezas mais bonitas que eu poderia escolher, uma me levou até você.



segunda-feira, 6 de junho de 2016

Apenas pare.

Pare de ter medo de deixar as pessoas se aproximarem. Pare de construir muros ao seu redor ao invés de construir pontes. Pare de achar que todo e qualquer um que se aproximar vai levar de você o que quer que você tenha levado tempo pra construir.
Nem todo mundo é igual e você precisa parar de alimentar expectativas sobre quem vem, vai ou fica.  Reorganize os planos. Reavive os sonhos. Se afaste do que é tóxico, sejam pessoas ou hábitos. Você sempre soube que nada acontece sem uma ação catalisadora.
Respire, sinta o vento frio da manhã soprar no seu rosto como você faz todos os dias.
Deixe a mente em silêncio por 5 minutos e relembre a sensação de se sentir no completo silêncio como se só existisse você no mundo todo. 
A sua vida é sua, garota, e mais ninguém poderá vivê-la por você. 
Lembre-se, que cada passo seu lhe trouxe até esse momento. Mesmo que em algum momento junto dos seus passos tenham havido outros que lhe acompanharam durante o caminho, foram o seus que continuaram quando ao invés de dois pares de pegadas só restou um. 
Não deixe que o medo do futuro te aprisione no presente e lhe impeça de se arriscar. Covardia nunca foi uma característica sua.
Você sabe exatamente o que quer e como chegar lá, então vá, não descanse, prossiga, deixe pra trás a bagagem e vá apenas com o que você possui dentro de si. 
O mundo não pode dizer que você não é capaz, e ainda que diga, você aprendeu a ser teimosa o suficiente para provar a ele o contrário.
Nem todo mundo vai entender a escolha do seu caminho, mas tudo bem, é o seu caminho e não o deles. Tome um copo de coragem, vá lá fora e faça o seu dia.
Não esqueça de quem você é e de tudo o que você pode fazer. 
Apenas você conhece o tamanho da sua força. Apenas você pode se impulsionar para frente. Apenas você sabe o infinito poder contido aí dentro. 
Então, pare. 
E em seguida...salte.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Ela é de Peixes...

Ela tem dois caminhos que se confundem quase sempre. De um lado, sonha em chegar lá – mesmo que não saiba exatamente onde é esse lugar. Acredita que mais importante que o caminho são as pessoas que encontra no meio dele. Para o barco, dá carona, gosta de companhia. Seu jeito é meio à luz de velas quando o sol desaparece no horizonte. Ama como se houvesse amanhã, como se fosse durar uma vida inteira porque ela tem esperança. Pra ela não acaba, não se finda, não vai sumir num piscar de olhos. Pensa que o mundo inteiro se resolve num abraço, muito mais que num beijo. E envolve, se envolve, é sempre num cruzar de braços. Mal dá pra ver que ela é cheia de abismos, que por dentro ainda existe alguma coisa que não a deixa sossegar. Continua nadando.

Se alguma coisa a machuca, prepara-se pra mudar de rumo. Já te contei que existem dois caminhos pra ela, e que eles se confundem. Nada pra baixo com toda a força do mundo quando tem que nadar. Mergulha com tudo, ela é intensidade pura. Vai no fundo do oceano e não prende o ar, não precisa disso. Se mistura com as ondas e vem de forma violenta. Te acerta ainda na praia e toda a tranquilidade de antes se transforma num turbilhão. Mas foi você quem provocou isso, foi você que pediu pra ver. Ela escapa como se tivesse guelras.

Ela se recusa a largar sua moradia. Seu corpo, sua casa. Quem tenta violar suas regras encontra placas de aviso na surdina, na calada da noite, em toda janela que deixa aberta. Algumas setas, alguns alvos. Ela não quer que você chegue perto, não quer que você entre. Melhor se afastar, melhor deixar pra lá. Ela parece frágil feito líquido, transparente feito água, mas você já conseguiu enxergar as profundezas de qualquer mar? Não, nem vai enxergar as dela. Ela não deixa.

Sonha com um mundo que ainda não existe, sonha com alguém que ainda não existe, sonha com tudo. Seria capaz de viver nos sonhos e construir sua vida neles. E constrói, na verdade. Tudo em volta dela é sonho, tudo em volta dela é algo que você não consegue ver. Ela vê. Ela enxerga coisas que ninguém enxerga o tempo todo. Talvez porque essas coisas estejam dentro dela, dentro dos tesouros perdidos num naufrágio submerso, e não nas coisas que você jura que vê na superfície.


Texto de Daniel Bevolento

quinta-feira, 24 de março de 2016

21 depois dos 21

ALERTA DE TEXTÃO

Eu sempre pensei que aniversário era como ano novo.
Afinal, é um novo ano que se inicia na sua vida e são novos 365 (ou 6) dias que serão somados à sua bagagem de experiências. Não sentimos o peso de mais esse ano, e no fim das contas, o que acaba importando é a idade que sentimos que temos e não a que consta no nosso RG.
Lembro de quando eu era criança, e em como os aniversários de criança são cheios de gente, afinal, a grande maioria dos convidados são amigos dos seus pais e não seus. Lembro também de quando eu pude chamar meus próprios convidados e em como eu queria chamar todo mundo por que achava que a minha festa ia ser hiper/ultra/blaster legal, e no fim, foi um bolinho, duas pizzas e dez gatos pingados na cozinha da minha antiga casa.
E pra falar a verdade, eu me senti muito mais feliz nesse dia do que me sentiria se tivesse feito A festa do bairro. As pessoas que realmente importavam estavam alí comigo.
Com o tempo (você pode fazer essa experiência) os seus aniversário vão ter cada vez menos gente. Talvez o mesmo número de pessoas só que com algumas caras novas, mas isso não é ruim. Significa que você mudou, e que suas mudanças atraíram outras pessoas pra perto de você e afastaram aquelas que não deveriam de fato ficar.
Mas o foco aqui não são as pessoas. É você. E o que você fez nesse ciclo passado que acabou de se fechar na sua vida. O quanto aprendeu? O que vivenciou? O que se permitiu viver? O que enfrentou?
E pensando nessas perguntas foi que eu resolvi me propôr algo novo. Algo também que me ajudasse a evitar a sensação de que que minha vida está passando muito rápido e eu não estou registrando (na memória) as experiências.
Vou me desafiar a fazer 21 coisas depois desses 21 anos que acabei de completar.
Tá na cara que essa lista vai render muito assunto pro blog por eu não seria eu se não escrevesse sobre as coisas malucas que me acontecem. Sem falar no fato de que preciso desesperadamente aprender a cumprir metas.

E lá vamos nóooooooooooooos! 

(Queria colocar o GIF da bruxa do pica-pau aqui. #numdeu)

1 - Aprender a me organizar;

2 - Ler a pilha de livros que está se acumulando do lado da minha cama;
3 - Fotografar mais (pelo menos uma foto por semana);
4 - Praticar mais no violão;
5 - Estudar mais;
6 - Conseguir uma bolsa e começar meu projeto da faculdade;
7 - Conhecer melhor a cidade onde eu moro;
8 - Me permitir;
9 - Ser mais presente na vida das pessoas que me cercam;
10 - Me dedicar mais ao Blog; 
11 - Voltar a pintar;
12 - Viajar;
13 - Assistir mais filmes antigos;
15 - Assistir o sol nascer, na praia;
16 - Praticar algum esporte;
17 - Ouvir mais;
19 - Jogar uma carta no mar;
20 - Escrever um 'livrin';
21 - Valorizar mais o acaso; 

Na lista tem as coisas que quero muito me permitir fazer, antes que o ano acabe ou passe voando como foi em 2015. Uma coleção de "mini-sonhos" e hábitos que preciso aprender a cultivar.

Coisas que são significativas pra mim mas que a procrastinação ou a minha preguiça de espírito não tem me permitido fazer. 
Quero mais momentos e lembranças antes que o ano acabe e me deixe com aquela velha frase: "Nossa. Esse ano passou rápido não foi?" 







terça-feira, 1 de março de 2016

Intensidade

Sempre tive um problema muito sério com organizar meus sentimentos. Priorizar as coisas. Nunca soube distribuir bem a quantidade de sentimento para cada situação. Ainda hoje não sei. 22 anos pra aprender e ainda não consegui. Numa escala de 0 a 10 em matéria de sentimentos, eu não sei o que é um 5. 
Sempre quis que tudo o que eu fizesse de coração tivesse parte de mim e a toda pessoa a quem me dedicasse soubesse o quanto um ser humano pode sentir.
Nunca soube ser pela metade, me doar sem ser por inteiro. Sempre fui tão eu em todas que eu fiz. Queria sentir que estava fazendo o que quer que fosse com alma. 
Se não fosse assim, não seria verdadeiro o suficiente.