domingo, 13 de agosto de 2017

Intimidade

"Vem, entra. Não, não tira o chinelo. Você já tomou café? Por que essas janelas ficam sempre fechadas? Já sim, e você?"
Nem vi quando deixei de ter vergonha de entrar na sua casa. Ou quando sua cadela parou de mostrar os dentes pra mim. Mas eu lembro de quando sua mãe começou a me abraçar com mais carinho  que o habitual, ou quando eu tomei a liberdade de chegar e ir direto pro seu quarto mexer na sua TV.
A gente nunca se dá conta de como a intimidade é sorrateira. Vem chegando e quando menos se espera já se apossou de todos os cômodos dentro de nós. E a gente acusa, aponta o dedo e dá a ela todo o crédito pelo total fim do romance de início de namoro. 
As saídas de fim de semana vão ficando cada vez mais escassas por preguiça ou falta de opção. Preguiça boa, de ficar em casa treinando as receitas mais mirabolantes ou escolhendo por duas horas um filme no qual um dos dois vai acabar dormindo na metade.
As noites de sono aparentemente também perderam o toque de água com açúcar daquele romances dos anos 20. 
Dormir de conchinha a noite toda? Nem pensar! O braço fica dormente, a nuca começa a suar e alguém acaba comendo cabelo. E a gente descobre que não precisa se tocar pra ser amor. Mas que amor sem se tocar nenhuma vez também não pode...!



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