terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Let free


Hoje quando levantei, pela primeira vez, meu primeiro pensamento não foi você.
Desci e fui tomar café esparramada no sofá que já dormimos juntos, e percebi que lembrar disso já não me causava nenhum calafrio. 
Fui até a cozinha e lavei os pratos ao som de Since i've been loving you, esperando pra saber que tipo de reação isso me causaria. Nada.
Fui além.
Subi as escadas correndo, empurrei as tralhas de trás do armário e puxei de lá seu violão. Lembrei das vezes em que você usava ele pra tocar pra mim. Arrisquei tirá-lo da capa e tocar algumas notas. 
Parecia um violão comum agora.
Abri o armário e no meio das minhas roupas encontrei uma das suas camisas. Toquei, e me dei conta de que era só uma peça de roupa. A primeira peça de roupa masculina a dividir o meu armário isso é verdade, mas ainda assim, só um pedaço de tecido ao qual eu atribui sentimentos demais.
Não era você. Você não se materializaria ali, e nem eu queria isso.
Procurei dentro de mim aquela saudade que me apertava tudo quando eu esbarrava com alguma coisa sua que ficou pelo meu quarto... E não a encontrei.
Um dia eu li que a saudade é como um pássaro, que a gente teima em prender na gaiola pra cantar só pra gente. É dolorido e sofrido, mas o canto é tão bom que suprime a culpa da prisão e da maldade.
Se isso for realmente verdade, meu bem-te-vi saudade fugiu. Encontrou uma saída, o danado. Quando de propósito eu esqueci o trinco da gaiola aberta, ele se esquivou e saiu voando.
E eu sei e fico feliz que ele não vá voltar.

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